Há poesia na infância na periferia? Sim, bastante. A Luana Moraes, professora de Geografia e estudante de Jornalismo fez um poema-crônica para destacar o que observa em na passagem Nazaré, no bairro da Condor. Veja:
Enquanto SER, criança…
Enquanto ser criança deveria ser divertido, muitas vezes é algo muito sofrido.
Nos dias de hoje, no mundo globalizado, dissemina-se além das tecnologias, dos fluxos de informações, das mercadorias… A precariedade de modos de vida, educação, saúde, segurança de quem vive (principalmente) na periferia…
Quando eu era criança, o mundo era divertido, brincava nas ruas, andava de bicicleta, inventava “piras” jamais vistas, empinava pipa (sim, pois não se resume em uma atividade somente de garotos), jogava peteca, assistia DragonBall, andava de patinete, trocava figurinhas, jogava Yu-gi-oh (meu Deck tinha o Exodia – para quem não sabe é uma espécie de iPhone 8 de minha época), entre tantas ludicidades, encontrava na minha existência a felicidade de verdade.
Conforme fui crescendo, em um bairro periférico, a violência nos assustava, mas era algo bem genérico.
Um furto da janela da vizinha, o cara que pegou minhas figurinhas… Até que o tempo passou e começamos a presenciar a violência que hoje culmina.
Já não dava para brincar na rua até tarde…
Já não tirava minha bike da garagem…
Já não ouvia mais os garotos jogando bola na rua (altos campeonatos)…
Já não se via ninguém sequer andando pelas ruas…
A TV agora era a nossa maior diversão…uma grande falcatrua…
Hoje, me pego observando as crianças que crescem onde eu cresci, e sua liberdade está restrita a pequenos bons momentos aqui e ali.
Quando brincam na rua e se divertem em seu universo particular… a voz estridente de suas mães atravessa o quarteirão pelo ar, chamando pelos seus filhos, desesperadas, pois ontem mesmo elas viram uma pequena garotinha alvejada na calçada.
Na periferia os sonhos ficam estreitos, a violência é sem precedentes…
assusta até quem nada tem haver com o problema “deles”.
Quando uma criança consegue sonhar num ambiente desses, significa que uma faísca se acende na esperança de emergir nos sonhos novamente…
Me inspira, me salva, ver uma criança brincando de professora na calçada.
Semelhante à condição real de muitos aqui em nosso país, mas pra mim, basta esta faísca, para poder imaginar um mundo (um dia) mais feliz !
Foto e texto: Luana Moraes
(Professora de Geografia/ Estudante de Jornalismo na Estácio do Pará/ Membro da Agência Além-Margem)


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