Imagem polêmica em HQ provoca discussões sobre censura

No dia 16 de abril de 2018, a obra “Castanha do Pará”, do publicitário, pintor e desenhista brasileiro Gidalti Moura Junior, foi retirada de uma exposição sobre HQs que ocorria em um shopping localizado em Belém, no Pará.

O quadro faz parte da novela gráfica “Castanha do Pará”, lançada em 2016, que retrata a vida na periferia da capital paraense. A obra foi indicada ao troféu HQmix (considerado o “Oscar” dos quadrinhos no Brasil), na categoria melhor publicação independente, e primeira obra a vencer o prestigiado Prêmio Jabuti, na categoria História em Quadrinhos.

Baseada no conto “Adolescendo Solar”, do professor Luizan Pinheiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), a HQ é narrada em forma de fábula e o cenário é a feira do Ver-o-Peso, considerada a maior da América Latina, onde o personagem “Menino-Urubu” vive de furtos e da ajuda de outras pessoas que trabalham ou passam por lá.

Após tomarem conhecimento da exposição, um grupo de oficiais da Polícia Militar do Pará foi até a direção do shopping pedir a retirada da obra, por considerar que caracterizava apologia ao crime e por considerá-la agressiva e negativa para a imagem da corporação. Sem acionar o artista, a administração do empreendimento concordou em removê-la, o que gerou uma rápida repercussão em vários portais de notícias no Brasil, além de gerar, em redes sociais como Twitter, Instagram e Facebook, uma onda de críticas, debates sobre censura e importância da obra.

Surpreso diante do ocorrido, Gidalti usou seu perfil no Instagram para repudiar o que ele chamou de “conceitos arbitrários que classificaram a imagem como uma ofensa à Polícia Militar”. Tratando o caso como censura, o artista ainda reiterou que por se tratar de uma obra de caráter lúdico e ficcional, “quem a compreendeu como apologia ao crime e/ou a desmoralização da Polícia Militar, o faz de forma leviana e sem ao menos ler o livro ‘Castanha do Pará’”. Até o dia 30 de abril de 2018, o post teve mais de 877 compartilhamentos no Facebook, provocando também inúmeros comentários e posicionamentos.

Diante da repercussão do acontecimento na web, o shopping, por meio de uma nota de esclarecimento em sua página no Facebook, relatou que apenas cedeu o espaço para a realização da exposição e diz ser uma organização incentivadora da arte de curadores e artistas paraenses. Por sua vez, no mesmo comunicado, a coordenação da exposição de quadrinhos, diz que a obra foi retirada após comum acordo da curadoria do evento, que ressaltou que a ilustração acabou gerando um incômodo por seu caráter violento, em parte dos frequentadores do shopping. Já a Polícia Militar do Pará, conforme notícia veiculada pelo Portal G1 Pará, informou por meio de nota à administração do shopping, a sua insatisfação em relação à obra do artista.

E você, o que achou do caso?

Enderson Oliveira

Deixe um comentário