Mostrar uma periferia viva, alegre, criativa e forte, distante da repetição de discursos de suas mazelas sociais e de uma área unicamente marginalizada. Assim pode ser sintetizado o objetivo do projeto Periferia em Foco, criado em 2016 pelo estudante de Comunicação Social (Jornalismo) Wellington Frazão e outros amigos.
A ideia é fundamental na cidade, afinal, segundo o estudante, “a produção da grande mídia em Belém sempre excluiu os potenciais das periferias, no caso, as pessoas. Retratando o cenário policialesco, da violência, do crime e da pobreza, nunca deu voz ao outro lado. O pobre só se via na TV se fosse preso. Até há uma tentativa de fazer jornalismo comunitário, mandando o repórter ir lá mostrar o buraco etc., mas a grande mídia ainda continua dando a maior visibilidade aos pontos negativos da periferia, pondo um contra o outro, querendo tapar o buraco das desigualdades, retratando em sua grande maioria somente as desigualdades”
Tal trabalho, iniciado no bairro da Cabanagem, não fica “escondido”. Pelo contrário. Termina também colaborando para pautar outros veículos na cidade.

“Já cobrimos diversas pautas relacionadas a saneamento básico na Cabanagem, o que pautou algumas TV da cidade que essas por sua vez com a audiência que tem, conseguiram as respostas mais imediatas, sobre tudo de recapeamento asfáltico e tapa buraco, Mas tendo como o primeiro a cobrir sendo o periferia”, destaca Wellington.
TRAJETÓRIA DE DESTAQUE
Com mais de dois anos de existência, atualmente o Periferia em Foco conta com mais de 60 vídeos em seu canal no Youtube. É no Facebook, no entanto, que há maior atuação do projeto, onde possuem quase 200 vídeos hospedados. Vale ressaltar que mais da metade da produção é autoral, alguns compartilhados de algumas matérias veiculadas em outros veículos sobre a iniciativa.
No total, são produzidos reportagens, séries (como a “Heróis da Periferia”), entrevistas e eventos. “Entrevistamos pessoas da comunidade, estudantes, divulgando o que acontece de bom, e não de negativo. Foi feito bastante coisa ao longo desse tempo. Temos a execução do projeto música na esquina, a web serie heróis da periferia, as denúncias da comunidade e entrevistas em eventos”, explica Wellington.
Apesar disto, há grandes desafios, claro. De acordo com o estudante, “acredito que a maior das dificuldades mesmo é fazer ativismo. Resistir ao que já é convencional pra muitos. Além do lento retorno das ações, seja financeiro que praticamente não existe, seja o social que é da própria comunidade”.
Isto, no entanto, é vencido com grandes conquistas e exemplos, como o “relato de uma mulher que superou o câncer de mama em 2016. Foi nossa campanha do outubro rosa daquele ano. Ele contou somente para o periferia como descobriu a doença, como foi o tratamento e deixou uma mensagem de esperança para as mulheres . Na época da descoberta da doença, ela tinha sido aprovado na UFPA e decidiu continuar o estudo e também começar o tratamento”, enfatiza.
FUTURO
O Periferia em Foco atualmente integra a Agência da Rede de Narrativas do Instituto Maria e João Aleixo do Rio de Janeiro. A agência de narrativas, tem o objetivo de conectar os diversos comunicadores e comunicadoras da América Latina para refletir e construir maneiras de comunicar, capazes de estabelecer diálogos e potencializar o olhar periférico na produção de conteúdo por meio de canais on e off-line.
Em 2017, foi convidado para participar do Primeiro Encontro Nacional de Comunicação das Periferias, na Cidade do Rio de Janeiro, Favela da Maré, que contou com a presença de 70 comunicadores populares de diversas partes do país. Em 2018, Esteve novamente no Rio de Janeiro, dessa vez para o Encontro Latino Americano de Comunicadores Periféricos, na oportunidade foi convidado a compor a Agência de Narrativas das Periferias e participou também do lançamento da Revista Digital Periferias, que terá publicação de seis em seis meses com conexões dos territórios populares do mundo inteiro.

No final do ano de 2017, o projeto participou também da programação da Série Diz Aí Juventude Afro e Indígena do Canal Futura em Belém. Na programação teve uma oficina de audiovisual, onde os jovens divididos em grupos produziram um filme de 30 segundos que está sendo veiculado nas plataformas online do canal Futura. Os jovens foram convidados para a programação, para unidos em processo de mobilização social, fortalecimento local e formação para audiovisual, debaterem sobre as juventudes negras, indígenas e sobre o racismo institucional. O Periferia em Foco participou do evento indicado pelo Observatório de Favelas do Rio de Janeiro.
Com este know how, não é difícil imaginar que o projeto consiga de fato o que almeja que, segundo Wellington, é “ser uma referência de comunicação popular na Amazônia. Uma comunicação focada principalmente nas periferias urbanas amazônicas”, finaliza.


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