Belém dos bregas marcantes: pesquisa mostra que ritmo bomba no Youtube dos paraenses

Por Enderson Oliveira

Belém do Pará possui uma característica peculiar em sua construção histórica e cultural. Ao se falar em presente ou em “futuro” na capital paraense, seja nos campos do Turismo, da Publicidade, das Artes ou em outras formas de expressão, é quase inevitável uma referência ao passado.

Embora essa ideia pareça contraditória à primeira vista, ela ganha sentido quando se retorna ao período considerado o auge do “progresso” e do “desenvolvimento” idealizado da cidade: a Belle Époque, vivida entre o final do século XIX e o início do século XX.

Essa percepção está fortemente ligada à presença física de construções históricas ainda preservadas em Belém, como o Teatro da Paz, o Palacete Pinho e a loja Paris n’América. Soma-se a isso o conhecimento, mesmo que superficial, sobre a urbanização do bairro da Cidade Velha e o surgimento de pontos emblemáticos como o mercado do Ver-o-Peso. Todos esses elementos remetem a um período marcado pela abundância gerada pela exploração do látex, que permitiu a uma elite importarem costumes e estéticas inspirados na Europa para o cotidiano da cidade.

Esse sentimento de nostalgia — ou saudosismo — também se manifesta de forma intensa nas expressões musicais locais, especialmente nas canções conhecidas como bregas, que em Belém recebem um nome bastante simbólico: “marcantes”. Esse fenômeno foi analisado em uma pesquisa conduzida pelo comunicólogo e analista de mídias sociais José Calasanz Jr.

José Calasanz possui ampla experiência no mercado de mídias sociais. Foto: Thiago Favacho

“Realizei o estudo com base em dados do Google Trends, analisando o período dos últimos cinco anos. A partir disso, percebi que as buscas pelo termo ‘melodys marcantes’ começaram a crescer a partir de 2020. Nossa hipótese é que esse crescimento esteja relacionado ao isolamento provocado pela pandemia, embora essa suposição ainda precise de mais investigação”, explica Calasanz.

O pesquisador também destaca que “as cidades da Região Norte foram as únicas indicadas pelo Google Trends como localidades com buscas relevantes pelo termo analisado, o que reforça o quanto estamos culturalmente ligados ao Melody Marcante. No entanto, também revela a necessidade de ações voltadas à sua divulgação em outras regiões. Ritmos como o axé e o piseiro conseguiram espaço em canais de TV e plataformas de streaming em todo o país — talvez esse também seja um caminho possível para o melody”, conclui.

Deixe um comentário