Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a cultura da Amazônia

Quando a ONU criou em 2015 a Agenda 2030 com 17 ODS, abriu caminho para integrar desenvolvimento humano, preservação ambiental e justiça social. Na Amazônia, essa conectividade se torna ainda mais significativa: territórios tradicionais, saberes ancestrais e cultura regional estão completamente entrelaçados com as metas globais.

O ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis) inspira iniciativas urbanas que valorizam o patrimônio cultural. Em Belém, museus populares, ecomuseus e manifestações como o Arraial do Pavulagem invocam o imaginário amazônico, preservando ritmos e saberes enquanto constroem espaços urbanos inclusivos.

Na Amazônia, cultura e sustentabilidade não são domínios separados — eles se reforçam mutuamente. Salvar línguas indígenas, documentar cantos e rituais, manter tradições culinárias e rituais religiosos, como o marabaixo ou o boi-bumbá, é preservar o conteúdo vivo que sustenta os ODS. Sem essa base cultural, as metas globais se tornam vazias.

Por isso, os ODS 13 (Ação contra mudanças climáticas) e ODS 15 (Vida terrestre) se sustentam na cultura tradicional. Saberes indígenas e ribeirinhos sobre uso sustentável da floresta são essenciais para preservar a biodiversidade e manter o equilíbrio climático. Projetos como os promovidos pela Concertação pela Amazônia incluem essas comunidades na gestão territorial e elaboração de políticas públicas.

Podemos notar que o ODS 17 (Parcerias e meios de implementação) ganha vida em cooperações como a firmada em 2022 entre a ONU e o Consórcio da Amazônia Legal, que visa monitorar ODS na região e articular governos, ONGs, comunidade acadêmica e povos tradicionais. Tal governança diversa só se sustenta se dialogar com múltiplas vozes — entre elas, a cultura tradicional amazônica tem papel estratégico.

Já o ODS 5 (Igualdade de gênero), ODS 10 (redução das desigualdades) e ODS 3 (saúde e bem-estar) também se conectam à cultura amazônica. Projetos que incentivam a ciência e valorizam saberes como os fitoterápicos indígenas integram herança cultural ao cuidado com a saúde . Isso promove inclusão e diversidade, fortalecendo especialmente as mulheres tradicionais e populações vulneráveis.

Portanto, uma Amazônia saudável e justa depende de integrar cultura, ciência, políticas públicas e educação. Só assim será possível construir um projeto regional sustentável e plural — uma Amazônia que forma cidadãos conscientes e conectados à sua identidade, capaz de inspirar o Brasil e o mundo a cumprir os ODS de forma inclusiva, eficaz e profundamente humana.

Deixe um comentário