Pacaraima, cidade localizada em Roraima, tornou-se o principal ponto de entrada para imigrantes venezuelanos em busca de refúgio no Brasil. Desde o agravamento da crise política, econômica e humanitária na Venezuela, milhares de pessoas atravessam diariamente essa fronteira carregando não apenas malas e documentos, mas também o peso da fome, da insegurança e da desesperança.
Segundo dados da Operação Acolhida, mais de 400 mil venezuelanos já entraram no Brasil desde 2017, sendo que muitos chegam em situação de vulnerabilidade extrema. Pacaraima, com pouco mais de 15 mil habitantes, enfrenta o desafio de acolher uma população imigrante que, muitas vezes, é maior do que a sua própria. A estrutura pública não dá conta da demanda por saúde, abrigo, saneamento e educação.
Sofrimento Social e Psíquico: as marcas invisíveis da imigração forçada
A jornada dos imigrantes venezuelanos é marcada por traumas profundos. A separação familiar, a perda de entes queridos, a violência sofrida e testemunhada, além das condições precárias de vida, contribuem para o desenvolvimento de transtornos mentais como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático.
Estudos indicam que o sofrimento psíquico-social dos imigrantes carece de compreensão sensível e intercultural, que viabilize a expressão do pavoroso e a articulação de ações frente à marginalização, à falta de emprego e à precariedade de vida. Além disso, a exposição a situações de discriminação, abuso, privação e humilhação faz parte da trajetória de muitos imigrantes, agravando ainda mais o sofrimento psíquico e social.
No plano social, o preconceito e a xenofobia dificultam ainda mais a integração dos imigrantes. Mesmo com iniciativas como a Operação Acolhida, que organiza abrigo e interiorização, o sentimento de exclusão persiste. Muitos venezuelanos vivem nas ruas ou em abrigos precários, enfrentando barreiras linguísticas, falta de acesso ao trabalho formal e discriminação cotidiana. O sofrimento social se soma ao sofrimento psíquico, criando um ciclo de exclusão e silenciamento. É preciso garantir o direito à cidade, ao trabalho e à dignidade.
Em tempos em que o Brasil se prepara para sediar a COP 30, a capital paraense Belém se coloca como palco de discussões sobre justiça social, ambiental e climática. Não podemos ignorar que essas agendas estão interligadas. O acolhimento digno de imigrantes em situação de vulnerabilidade é também uma pauta de justiça climática e social. A crise humanitária venezuelana desafia não só os limites geográficos do país, mas a nossa capacidade de responder com humanidade, solidariedade e política pública estruturante.
A imigração venezuelana para o Brasil é um fenômeno complexo que exige respostas humanitárias e políticas públicas robustas. É imperativo que o país desenvolva estratégias que garantam não apenas a assistência imediata, mas também a integração social e econômica dos imigrantes, respeitando seus direitos e dignidade. A empatia e a solidariedade são fundamentais para construir uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos tenham a oportunidade de recomeçar e reconstruir suas vidas com dignidade.


Deixe um comentário