O que são e qual é o papel das toadas no Festival de Parintins?

Mais do que um espetáculo visual, o Festival de Parintins é uma manifestação artística completa — e, nesse cenário, a toada ocupa um lugar central. É ela que embala a emoção, dá ritmo à narrativa e dá voz aos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, sendo considerada a essência musical do festival.

O termo “toada” vem do verbo “toar”, que remete a um som que ecoa e ressoa. No contexto do boi-bumbá, a toada vai além de uma simples melodia: ela é uma canção carregada de significado, que conduz as histórias contadas em cena. Mistura elementos da cultura popular, do imaginário amazônico e das lutas sociais, transformando cada apresentação em um poderoso ato de comunicação cultural.

Com raízes que remontam a tradições como os fados portugueses e cantigas do interior do Brasil, as toadas foram se moldando à realidade amazônica. Hoje, elas se destacam por abordar temas variados — do encantamento das florestas e rios aos direitos dos povos originários — sempre com letras poéticas, intensas e ritmos contagiantes.

Durante o Festival de Parintins, as toadas são interpretadas com energia por levantadores de toada, acompanhados de marujadas e batucadas que fazem a arena vibrar. Além de emocionar o público, esses cantos são um dos 21 itens avaliados oficialmente na disputa entre os bois, e ajudam a construir a atmosfera mágica que atrai milhares de pessoas todos os anos à ilha Tupinambarana.

Mais do que entretenimento, as toadas são ferramentas de resistência e valorização cultural. Incorporam termos e saberes indígenas, como “cunhã-poranga” e “tuxaua”, reforçando os laços com os povos tradicionais da Amazônia e mantendo vivas as memórias e identidades da região.

Em resumo, as toadas são a trilha sonora de um povo que canta sua história, sua fé, suas dores e esperanças. No Festival de Parintins, elas não apenas animam o espetáculo, mas também reafirmam a força da cultura amazônica, conectando tradição e atualidade em um canto coletivo de celebração à vida.

Foto: Secom/Alex Pazuello | Secom/Lucas Silva

Deixe um comentário