Boi Boiola e o Boi Rasgadinho e a representatividade LGBTQIAPN+ em Parintins

Além de Garantido e Caprichoso, você já ouviu falar nos bois que celebram a diversidade LGBTQIAPN+ em Parintins? O Boi Boiola e o Boi Rasgadinho ocupam espaços de visibilidade e resistência no Festival Folclórico, trazendo humor, cores e representatividade para o cenário cultural da Amazônia.

O Boi Boiola surgiu em 14 de março de 2004 por iniciativa de Tarcísio Gonzaga, um grupo de amigos que desejava criar um bumbá que representasse a comunidade LGBTQIAPN+ e, ao mesmo tempo, criticasse o preconceito. A cor rosa vibrante — símbolo de pureza e esperança —, os lábios inspirados em Angelina Jolie, os cílios alongados, os laços nos chifres e a flor na testa formam sua identidade visual única.

A escolha dos brincantes não se baseia em concursos e sim no envolvimento com a causa LGBTQIAPN+, o que constrói um espírito coletivo e engajado. Segundo Tarcísio, o Boiola representa “a esperança para quem lida com a realidade de ser LGBTQIAPN+”

Em 2010, nasceu o Boi Rasgadinho, inicialmente uma brincadeira entre amigos durante jogos de vôlei no bairro, com reuniões sigilosas e sem divulgar fotos por conta da homofobia. Aos poucos, a festa ganhou força, ganhou festas conhecidas como “rasgas” e passou a recriar toadas famosas, mas com sátira e atitude política, denunciando preconceitos como lesbofobia, racismo, e violência de gênero.

Sua cor predominante é lilás e branco, ostenta uma borboleta arco-íris na testa e reforça a leveza, irreverência e luta LGBTQIAPN+

Em 28 de junho de 2024, Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, o Boi Boiola e o Boi Rasgadinho entraram no Bumbódromo pela primeira vez, acompanhados pelas torcidas de Garantido e Caprichoso, num marco histórico pela diversidade.

A participação ocorreu antes da disputa oficial entre os dois bois, simbolizando um convite à inclusão e ao respeito

Esses bois LGBTQIAPN+ promovem uma arte satírica que questiona preconceitos, ao mesmo tempo que prestam homenagem à cultura do boi-bumbá. O Boiola foi chamado de “primeiro boi representante LGBTQIAPN+ em Parintins” e Rasgadinho passou a ser chamado de “bumbá arco-íris”.

Ambos materializam a força de uma comunidade invisibilizada, fazem a cidade reverberar cores e risos, lutando por direitos e cidadania.

Durante o festival, ao som das paródias embalam toadas que satirizam temas sociais. Os grupos funcionam como espaços seguros, trazendo familiares, amigos, artistas e simpatizantes. Com essa presença, o Boiola e o Rasgadinho denunciam a homofobia, resgatam a alegria e reforçam: os povos LGBTQIAPN+ também fazem parte da construção e do futuro do Festival de Parintins.

Em Parintins, cidade que já dividiu ruas entre vermelho e azul, hoje há também uma explosão de arco-íris no coração da festividade. Os bois Boiola e Rasgadinho seguem ocupando curral, Bumbódromo e fantasia, com irreverência e afeto, para mostrar que a cultura popular é plural, viva e acolhedora.

Foto: Reprodução O Liberal

Deixe um comentário