TV A Crítica: autonomia, resistência e valorização do Amazonas e da Amazônia

A Crítica tem se destacado como um pilar da cultura amazônica, atuando há décadas como principal articuladora da visibilidade local. Em 2024, mostrou sua importância ao recusarem ceder os direitos exclusivos de transmissão do Festival Folclórico de Parintins para a TV Globo — gesto que reforçou seu compromisso com a identidade regional e a autonomia cultural do Amazonas.

Fundada em 1972 como TV Baré e rebatizada como TV A Critica em 1986, a emissora mantém há mais de três décadas a tradição de cobrir o Festival de Parintins, transmitindo os três dias de celebração desde 2014 e sustentando o evento mesmo nas adversidades financeiras do passado e durante a pandemia. Além disso, ao longo dos anos, a emissora teve papel decisivo ao assegurar recursos e apoio aos bois Garantido e Caprichoso quando o patrocínio público falhou.

Em maio de 2024, o governador do Amazonas e os presidentes dos bois assinaram contrato com a TV Globo e Rede Amazônica para transmitir o festival. A A Crítica reagiu com um editorial contundente, afirmando que não foi consultada e acusando o governo de intervir de forma desequilibrada, violando o contrato com os bois Garantido e Caprichoso, sendo até ameaçada judicialmente. A polarização levou a um impasse que resultou, em junho, no cancelamento da transmissão pela Globo, que não chegou a fechar um acordo com a emissora local, reconhecida detentora dos direitos até 2025.

Esse episódio evidencia dois pontos fundamentais: a resistência da TV A Crítica em preservar a autonomia cultural da região e a relevância estratégica de manter o Festival de Parintins como patrimônio audiovisual amazônico. Ao restringir a transmissão à sua própria rede, a emissora evita que o evento seja apropriado por interesses externos e preserva o controle da narrativa, evitando cortes ou ajustes que diluam as raízes culturais.

Com isso, a TV A Crítica assegura cobertura integral — na televisão aberta, rádio, jornal e plataformas digitais — e mantém viva a discussão sobre a expansão e democratização do acesso à cultura regional, sem a perda de controle local. A atuação da emissora também evita que a cultura amazônica fique sujeita ao risco de ser interpretada por olhares externos que pouco compreendem seu significado simbólico e ancestral.

Além disso, a emissora é parte sólida da Rede Calderaro de Comunicação, que engloba veículos impressos, rádios e um canal em Parintins, sendo a fonte local que mais cresce em premiações no Norte do país. Esse ecossistema de mídia executa um papel educativo, além de garantir que o folclore e as vozes locais sejam preservados.

Na era da sobrecarga de informação, a TV A Crítica se posiciona contra uma lógica mercadológica que privilegia alcance em detrimento de profundidade e pertencimento. Ao manter os direitos de transmissão do Festival de Parintins, ela defende a ideia de que identidade cultural não precisa ser vendida em rede nacional; pode ser exibida pelo pulso de quem vive e entende a Amazônia.

Em resumo, a postura da TV A Crítica no episódio reafirma sua centralidade para a cultura do Amazonas e da Amazônia. Sua decisão de manter o controle sobre o Festival de Parintins reforça a narrativa de que a cultura regional não é apenas conteúdo, mas patrimônio. Defender esse patrimônio é preservar a história, as vozes e o futuro da Amazônia.

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