Documentário mostra o que aconteceu depois da construção de hidrelétricas na Amazônia; assista!

Por Vanessa Brasil

“Hidrelétricas na Amazônia: E Depois?” é um documentário que mergulha nas histórias e experiências de comunidades diretamente impactadas pelos grandes projetos hidrelétricos construídos na região, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio. Baseado em mais de uma década de pesquisas realizadas por uma equipe interdisciplinar, a produção audiovisual aborda as consequências ambientais e sociais dessas obras, destacando o custo humano e ecológico desses empreendimentos.

“Este documentário é fundamental, pois apresenta resultados inéditos de pesquisas que mobilizaram investigadores do Brasil e dos Estados Unidos para compreender os impactos da construção de hidrelétricas na Amazônia brasileira, tanto durante quanto após sua implementação.”, conta Igor Cavallini Johansen, que foi pesquisador de pós-dourado do projeto e hoje é professor da Universidade Estadual de Campinas.

O documentário revela as vozes de comunidades ribeirinhas, povos indígenas e pesquisadores que vivenciaram e estudaram os impactos das hidrelétricas. A partir desses depoimentos, a obra questiona o modelo de desenvolvimento energético baseado em grandes hidrelétricas e busca promover um debate mais amplo sobre alternativas sustentáveis para a região.

“O projeto traz uma experiência bem-sucedida de envolver populações impactadas em eventos de troca de saberes, nos quais pesquisadores compartilharam os resultados de seus estudos, e as comunidades locais contribuíram com suas percepções sobre as pesquisas e suas vivências únicas como afetados. Trata-se de uma iniciativa inovadora que concretizou uma verdadeira parceria entre ciência e conhecimento local. O resultado desse trabalho está cuidadosamente documentado neste vídeo”, completa Johansen. 

Miqueias Calvi, professor da Universidade Federal do Pará e um dos pesquisadores do projeto resume: “O setor energético é importante para todos nós, mas a gente precisa ter uma dimensão mais ampla dos impactos de longo prazo que esses grandes projetos exercem sobre os territórios onde são instalados”. 

Os impactos das hidrelétricas

O documentário destaca os efeitos negativos dessas grandes obras sobre as populações locais, incluindo comunidades ribeirinhas e indígenas, e no meio ambiente. Entre os principais achados estão a redução da biodiversidade aquática, alterações significativas nos modos de vida dos pescadores e mudanças no uso e cobertura da terra, resultando em desmatamento e perda de habitats naturais.

Além disso, o documentário aborda as transformações socioeconômicas nas regiões afetadas, como o crescimento populacional desordenado durante a construção das usinas, seguido por um declínio após a conclusão das obras, gerando desafios para o mercado de trabalho e o desenvolvimento econômico local.

“A gente sabia que não seria um projeto que vinha beneficiar a sociedade. Isso a gente tinha certeza”, diz Márcio Lima, pescador e morador do distrito de São Carlos (RO), no Baixo Madeira – um dos entrevistados no documentário. As populações indígenas também sentem os impactos, como conta Cleyson Juruna, morador da Terra Indígena Paquiçamba. Segundo ele, “praticamente toda a população indígena do Médio Xingu sofre com o impacto de Belo Monte”. 

Assista:

O projeto

A pesquisa que originou o documentário foi realizada por meio da iniciativa São Paulo Excellence Chairs (SPEC), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e foi desenvolvida em duas fases, ambas coordenadas por Emilo Moran – professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Michigan State University (MSU-EUA). Moran estuda a região amazônica desde a década de 1970, quando da construção da rodovia BR-230, a Transamazônica.

No atual projeto SPEC-FAPESP, participaram da investigação mais de 60 pesquisadores, de diversas áreas e regiões do país, considerando as duas fases. A primeira fase, de 2013 a 2019, identificou os impactos negativos nas populações locais causados pela usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em construção à época. Saiba mais sobre o projeto clicando aqui!

Já a segunda fase da pesquisa foi iniciada em 2020 e examinou os processos e impactos de 5 a 10 anos após a finalização da construção, além de incluir as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira. Essa última fase é intitulada “Depois das hidrelétricas: processos sociais e ambientais que ocorrem depois da construção de Belo Monte, Jirau, e Santo Antônio na Amazônia Brasileira”. Participaram da pesquisa as seguintes instituições: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Universidade de São Paulo (USP); Universidade Federal do Pará (UFPA); Universidade Federal de Rondônia (UNIR); Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); Michigan State University (MSU); e West Virginia University (WVU).

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