Festribal, em Juruti: o festival que celebra a cultura indígena da Amazônia com a rivalidade entre as tribos Munduruku e Muirapinima

O Festribal – Festival das Tribos Indígenas de Juruti – é uma das mais potentes manifestações culturais da região amazônica. Realizado sempre no último fim de semana de julho ou início de agosto, o evento é realizado na cidade de Juruti, no oeste do Pará, celebrando a cultura indígena em um espetáculo vibrante de música, artes cênicas, alegorias e dança.

Fundado em 1995 como desdobramento do Festival Folclórico de Juruti, o Festribal ganhou destaque nacional e já foi oficializado como patrimônio cultural do Pará (2008, Lei Estadual 7.112) e do município (2011, Lei Municipal 1.010). Seu palco principal é o Tribódromo, uma arena construída especialmente para a festa, onde se enfrentam as tribos Munduruku (vermelho e amarelo) e Muirapinima (vermelho e azul), cada uma composta por cerca de 800 integrantes.

Tribo Munduruku. Foto: Divulgação/ Alcoa Juruti

A dinâmica do festival é marcada por um duelo artístico: as tribos desfilam com coreografias, cantos e encenações que evocam rituais indígenas, o cotidiano de caboclos e histórias ancestrais da Amazônia. A rivalidade entre Munduruku e Muirapinima, que começou em 1994 com o surgimento da segunda tribo, tornou-se o símbolo do festival — um embate simbólico que expressa identidade, memória e resistência.

A participação popular é parte fundamental do Festribal: além das tribos, as torcidas se organizam e acompanham a disputa com, cantos, fantasias e aplausos. O festival serve, assim, como ponte entre as comunidades locais e o turismo cultural — na edição de 2023 mais de 5.000 pessoas estiveram presentes na Tribódromo.

O ciclo do Festribal sofreu interrupções apenas em 2020 e 2021, durante os dois primeiros anos da pandemia. No entanto, a retomada presencial em 2022 foi celebrada com entusiasmo: o festival voltou com força total, com transmissões online e apoio institucional, reafirmando seu papel como guardião da cultura amazônica.

Além de celebrar tradições, o festival tem um caráter político que se manifesta quando as tribos usam as apresentações para reforçar preocupações como preservação ambiental, direitos indígenas e visibilidade de saberes ancestrais. Há também a participação de “tribos mirins” no primeiro dia, incentivando a participação de crianças e adolescentes, que podem vir a se tornar ou não futuros itens individuais das tribos.

Por fim, o impacto econômico e cultural do Festribal se estende além dos três dias de festa. O evento movimenta setores como hotelaria, transporte, comércio e artesanato, beneficiando toda a cadeia produtiva da região.

Conheça as Tribos

Munduruku

Com raízes fincadas na história de Juruti, a Tribo Munduruku é mais que um grupo folclórico: é a expressão viva da memória ancestral dos primeiros habitantes da região. Fundada em 4 de julho de 1993, a tribo homenageia os povos Munduruku, que habitavam as margens dos rios Madeira e Tapajós e chegaram às terras de Juruti por volta de 1818. Representada pelas cores vermelho e amarelo, a Munduruku nasceu com o propósito de resgatar e celebrar os saberes indígenas por meio da dança, do teatro e dos rituais, afirmando Juruti como o berço da cultura munduruku.

Para o Festival das Tribos de 2025, a Munduruku apresenta o espetáculo “Amazônia Eterna”, um grito de alerta e reverência à floresta ameaçada. O enredo ecoa a dor e a resistência dos povos originários diante da devastação. A narrativa relembra o tempo em que os indígenas viviam em harmonia com a natureza, até a chegada dos colonizadores. Hoje, o povo Wuy Jugu denuncia o colapso ambiental: rios secam, animais desaparecem, vidas se desfazem. Ao som dos cantos ancestrais, a Munduruku clama por união e resistência, em defesa da Amazônia como fonte sagrada de vida.

Muirapinima

Fundada em 1994, a Tribo Muirapinima carrega nas cores azul e vermelho a força de uma ancestralidade viva. Seu nome homenageia os primeiros habitantes da região de Juruti e uma árvore nativa de madeira nobre, símbolo de resistência e beleza. A história da Muirapinima nasceu de uma dissidência da aldeia Munduruku, após o nascimento de um curumim de traços diferentes. A rejeição provocou uma ruptura: os que se rebelaram seguiram para as margens do Lago Juruti Velho, onde fundaram uma nova tribo. Desde então, a rivalidade entre Munduruku e Muirapinima é revivida todos os anos nas apresentações vibrantes do Festival das Tribos de Juruti.

Em 2025, a Tribo Muirapinima apresenta o espetáculo “Natureza Viva”, um chamado urgente à proteção do nosso planeta. O enredo celebra o legado indígena e a relação espiritual dos povos originários com a Terra, denunciando as ameaças do desmatamento, do garimpo e da poluição. A natureza, para os Muirapinima, é a essência da existência: é arte, fé, ancestralidade e resistência. Neste manifesto cênico, a tribo reafirma seu compromisso com a vida e convoca todos a se unirem pela preservação da nossa casa comum.

Itens avaliados

Assim como no Festival de Parintins e vários outros na Amazônia, há itens a serem avaliados para se definir a tribo campeã. Em Juruti, são 16. Veja:

  • Apresentador
  • Porta estandarte
  • Guardiã tribal
  • Índia Guerreira
  • Pajé
  • Tuxaua
  • Canto Indígena
  • Regional 
  • Evolução
  • Ritual
  • Alegoria
  • Tribo originalidade
  • Tribo coreografada
  • Conjunto
  • Harmonia
  • Galera

Títulos até 2024

Munduruku: 17

Muirapinima: 13

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