Na próxima quinta-feira (14 de agosto), a nova edição do Motirõ, promovido pela Fadesp (Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa), será realizado no Centro de Eventos Benedito Nunes, na UFPA, com entrada gratuita e inscrição online.
O tema desta edição é “Cultura ancestral e popular: floresta em pé e a sobrevivência dos mitos”, e faz parte da programação preparatória para a COP30. O encontro pretende provocar reflexões sobre os caminhos possíveis para o futuro climático do planeta, partindo de quem vive e transforma a floresta cotidianamente: artistas, mestres da oralidade, criadores de rituais e guardiões da memória.
A programação contará com Zeneida Lima, Milton Cunha e Luiz Antonio Simas. Saiba mais sobre cada um dos convidados:
A pajé nativa Zeneida Lima nasceu em Soure em 21 de julho de 1934 e dedicou a vida à cura e à preservação cultural e ambiental de sua terra natal. Fundadora da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), ela criou uma escola no meio da floresta que atende atualmente mais de 180 crianças, integrando ensino formal e saberes tradicionais, com forte ênfase na educação ambiental.
Desde menina, Zeneida revelou seu dom espiritual ao desaparecer por 17 dias, dizendo ter sido acolhida por entidades conhecidas como caruanas — forças sagradas das águas da floresta. Aos 11 anos, sob orientação do Mestre Mundico, iniciou-se formalmente como pajé cabocla e passou a exercer a cura com ervas e cantos, respeitando os princípios da pajelança cabocla que preserva o equilíbrio natural.
Zeneida também é escritora e publicou O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó (1992), livro que inspirou o enredo campeão do Carnaval carioca de 1998 — “Pará, o Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu” — pela Beija‑Flor de Nilópolis. Em 2017, teve sua vida retratada no filme Encantados, de Tizuka Yamasaki, e, em 2021, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado do Pará.
Milton Reis da Cunha Júnior, conhecido como Milton Cunha, nasceu em Belém em 1962 e construiu uma trajetória que une arte popular e rigor acadêmico. Psicólogo de formação inicial (UFPA, 1982), seguiu para o Rio de Janeiro aos 19 anos e se tornou carnavalesco em 1994 na Beija‑Flor, sucedendo ícones como Joãozinho Trinta. É mestre (2006) e doutor (2010) em Letras pela UFRJ, com pesquisas sobre narrativas no carnaval brasileiro, além de especialização em Moda e Indumentária (2004).
Comentarista e apresentador em diversos programas ao longo de sua carreira, Milton realizou dois pós‑doutorados na UFRJ: o primeiro em História da Arte (2017), sobre o carnaval de Rosa Magalhães, e atualmente desenvolve outro no Museu Nacional, com foco na estrutura narrativa dos Bois de Parintins (Boi Garantido e Boi Caprichoso) e sua importância como patrimônio cultural da Amazônia.
O fluminense Luiz Antônio Simas é historiador, escritor, compositor, educador e professor de História Social pela UFRJ. Autor de mais de 19 livros, ele ganhou o Prêmio Jabuti de Não Ficção em 2016 por Dicionário da História Social do Samba, em coautoria com Nei Lopes. Com obras que celebram a cultura popular brasileira – como O corpo encantado das ruas, Umbandas: uma história do Brasil, Arruaças, Filosofias Africanas e Crônicas exusíacas – Simas investiga as tradições urbanas, o samba, religiões afro-brasileiras e a memória marginalizada.
Além da produção literária, é compositor com cerca de 40 obras gravadas por artistas como Marcelo D2, Maria Rita e Criolo. Luiz é babalaô no culto de Ifá e compartilha saberes em aulas públicas como no projeto “Ágoras Cariocas” e atividades em praças, bares e terreiros e também atuou como consultor no Museu da Imagem e do Som do Rio, além de ser jurado do Estandarte de Ouro, principal prêmio do Carnaval carioca.
Conheça o Motirõ
A palavra Motirõ, de origem tupi-guarani, significa “juntar-se para construir algo coletivo”. Essa é a essência do projeto, que se estende até outubro com outras atividades voltadas para servidores públicos, pesquisadores, parceiros e sociedade civil.
Mais que um evento, o Motirõ é um convite para ouvir a Amazônia por inteiro — como floresta, mas também como território de cultura viva. A proposta é valorizar a pluralidade das Amazônias existentes — dos povos tradicionais às expressões culturais e cosmológicas — com foco na sabedoria ancestral e na produção de narrativas sobre a região. Clique aqui e saiba mais!
Por Vanessa Brasil, com informações da assessoria.



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