A eleição do escritor amazonense Milton Hatoum para a Academia Brasileira de Letras (ABL) marca mais um capítulo importante na trajetória de um dos mais influentes autores da literatura contemporânea amazônica e brasileira.
A decisão ocorreu na última quinta-feira, 14 de agosto de 2025, quando conquistou 33 dos 34 votos possíveis, assumindo a Cadeira 6, antes ocupada pelo jornalista e escritor Cícero Sandroni, falecido em junho.
O autor
Milton Hatoum nasceu em 1952, em Manaus. Formado em arquitetura pela USP, com pesquisa orientada por Milton Santos, Hatoum também foi professor e escreveu críticas antes de firmar-se como romancista.
Sua estreia literária em Relato de Um Certo Oriente (1989) conquistou o Prêmio Jabuti de melhor romance e foi adaptado para o cinema. Posteriormente, publicou Dois Irmãos (2000), Cinzas do Norte (2005), Órfãos do Eldorado (2008), A Cidade Ilhada (2009), Um Solitário à Espreita (2013), A Noite da Espera (2017) e Pontos de Fuga (2019). Recebeu diversos Jabutis, o Grande Prêmio da Crítica (APCA), o Livro do Ano da CBL e a Ordem do Mérito Cultural.
Reconhecimento
O presidente da ABL, Merval Pereira, saudou Hatoum como “o maior escritor brasileiro vivo”, um romancista de primeira ordem. Já a historiadora Lilia Schwarcz destacou sua ética e presença pública, enquanto Ruy Castro celebrou a renovação que Hatoum representa para a academia. Por fim, a jornalista Miriam Leitão afirmou que ele traz “todos os ecos do Brasil. Um Brasil que vem da Amazônia”.
Essa eleição reforça a projeção da literatura amazônica naquele espaço tradicionalmente centralizado no eixo sudeste. Hatoum não é apenas um romancista premiado, mas um autor que dialoga com a memória, a identidade e o futuro do país — consolidando seu lugar como um dos grandes nomes da literatura nacional contemporânea.



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