Curta paraense “Boiuna” conquista três Kikitos no Festival de Cinema de Gramado

O curta-metragem paraense Boiuna brilhou na 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado ao levar três dos cobiçados Kikitos de Ouro na noite de sexta-feira (22). O filme recebeu prêmios de Melhor Direção, entregue à diretora Adriana de Faria; Melhor Atriz, dividido entre Naieme e Jhanyffer Santos; e Melhor Fotografia, pelo trabalho visual de Thiago Pelaes.

Apesar do risco sempre presente de obras amazônicas reproduzirem clichês de como ela muitas vezes é apresentada pela mídia hegemônica (e por isso, por vezes, atrair atenção e destaque pelo caráter “insólito” e pelo “exotismo”), o filme parece não cair neste preocupante panorama.

Nas descrições em reportagens, sempre é enfatizado que o curta, inspirado na lenda da Cobra Grande, a Boiuna, a revisita com sensibilidade e criatividade para tratar de ancestralidade, resistência e protagonismo feminino, o que é cada vez mais fundamental.

O curta, gravado em Benevides, Benfica e na Ilha do Combu, já havia sido antecipadamente destacado com nove indicações, demonstrando a recepção positiva da crítica e do público especializado. Isto valoriza mais ainda o fato da equipe técnica ter contado com mais de 60 profissionais paraenses, o que reforça o caráter local da produção.

Indo além, Boiuna consolida-se como um marco do cinema amazônico, destacando a valorização da cultura regional, a narrativa feminina e a força da produção audiovisual independente. A conquista no Festival de Gramado reforça o protagonismo do Pará no cenário nacional e evidencia que as histórias da floresta têm muito para contar — e encantar — mas é preciso autorização, cuidado e respeito para percorrê-las.

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