Relivaldo Pinho, maior especialista na literatura de Edyr Augusto, analisa obra do autor e a série Pssica em textos exclusivos; confira!

O professor e pesquisador Relivaldo Pinho, o maior especialista na obra de Edyr Augusto, publicou uma série de três textos sobre o escritor paraense e suas produções, com destaque para o livro Pssica, “transformada” em minissérie homônima e lançada pela Netflix em 20 de agosto.

Segundo Pinho, “a importância da obra de Edyr Augusto está em mostrar uma outra Amazônia, uma região que vai além do mito do eldorado coberto por floresta, romantizado pela natureza e pelo meio ambiente. Não que outros livros já não mostrassem isso, como Belém do Pará, de Dalcídio Jurandir, e Altar em chamas, de Paes Loureiro. Mas Edyr foi o primeiro a apresentar, na literatura da região e sobre a região, uma contemporaneidade marcada pela decadência das cidades e das pessoas: vidas sob o signo da violência e da indiferença, relações corruptas entre políticos, imprensa e crime”, explica o professor.

Em entrevista exclusiva, o pesquisador destaca: “Nenhuma imagem é capaz de mostrar a complexidade total desse mundo, mas filmar Pssica pode ser algo louvável, tanto por dar destaque a essa literatura quanto por representar outras realidades da Amazônia. Milhões de vidas habitam a região e são impactadas de múltiplas formas, não apenas pelos clichês ambientais repetidos pela mídia. Nesse paraíso perdido, como define o próprio Edyr, talvez somente a literatura seja capaz de revelar com detalhes e densidade as mudanças pelas quais a região atravessa”, enfatiza.

Para ler e refletir

O primeiro texto da série de análises, “Para além de Pssica: conheça Edyr Augusto e sua obra”, publicado em 31 de julho no portal O Liberal, funciona como uma introdução à trajetória do autor. Já em 8 de agosto, Pinho lançou “A violência na literatura de Edyr Augusto”, ressaltando como a cidade contemporânea, especialmente Belém, rompe com a imagem melancólica herdada da Belle Époque da borracha e se apresenta nos livros de Edyr como território de violência, medo e degradação social.

No terceiro texto especial, “Pssica, da Netflix, redefine a Amazônia no streaming; leia e entenda”, publicado em 21 de agosto, o professor analisa os primeiros episódios da série. “Belém está nas imagens, mas seus monumentos são, no máximo, passagens para as cenas. Casebres, palafitas, calçadas entulhadas de gente e comerciantes são os verdadeiros habitantes dessa cidade. O açaí aparece como alimento, em momentos de dor, e não como símbolo exótico. Já os campos do Marajó, belíssimos, servem de cenário para carros repletos de bandidos atravessando estradas rumo à corrupção e à violência”, observa.

  1. Para além de Pssica: conheça Edyr Augusto e sua obra

  2. A violência na literatura de Edyr Augusto

  3. Pssica, da Netflix, redefine a Amazônia no streaming; leia e entenda

Para Relivaldo, a adaptação de Pssica ajuda a ampliar o alcance da obra de Edyr Augusto, mesmo que a série possa conter clichês ou equívocos. “É a literatura que capta melhor o espírito de uma época. Quando Edyr publicou Os Éguas, em 1998, talvez não imaginasse que a situação da região pudesse se agravar tanto. A literatura transposta para as telas, como em Pssica, permite ao espectador maior identificação, compreensão mais rápida da temática e novas perspectivas sobre a Amazônia”, afirma.

O autor

Relivaldo Pinho é graduado em Comunicação Social, mestre em Planejamento do Desenvolvimento (NAEA/UFPA) e doutor em Ciências Sociais (Antropologia) pela UFPA. É autor de Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia (EDUFPA, 2015), Mito e modernidade na Trilogia amazônica, de João de Jesus Paes Loureiro, e Amazônia, cidade e cinema em Um dia qualquer e Ver-o-Peso: ensaio (IAP, 2012). Também organizou a coletânea Cinema na Amazônia: textos sobre exibição, produção e filmes (CNPq, 2004). Professor do Centro Universitário Fibra, é um dos diretores do documentário Fisionomia Belém, disponível no YouTube:

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