De 18 a 22 de setembro, em Alter do Chão, Santarém, será realizada mais uma edição do Çairé, com o tema “Cecuiara da Tradição”. A expressão faz referência a mesa acolhedora, o rito que une tradição e vida, indicando um fortalecimento da memória e da identidade Borari no Baixo Amazonas.
Unindo religiosidade e festa, um dos pontos altos da festividade é o duelo entre os dois botos que dividem a paixão e a identidade do povo: o Tucuxi e o Cor de Rosa, também chamado apenas de Rosa. E você, já sabe quais os temas dos Botos para este ano? Veja a seguir:
A “Essência Borari” do Boto Tucuxi
O Boto Tucuxi, atual tricampeão, apresentou em julho o tema “Essência Borari”, fortalecendo o sentimento de pertencimento dos povos Borari, afirmando que cada canto, cada gesto e cada festejo é um elo vivo com os ancestrais. “Nossa morada é raiz profunda sagrada, viva e encantada. Somos feitos da memória dos nossos anciões, do canto das avós, do barro das mãos calejadas”, afirma o texto-tema.
O Tucuxi celebra sua ligação com o Tapajós, rio que é fonte de vida e de espiritualidade, reforçando a ideia de que quando as águas sofrem, o próprio povo também adoece. O enredo é um convite à preservação ambiental e à valorização cultural, lembrando que o Çairé é tempo de renovar a fé e reafirmar a coletividade.
A construção artística do tema ficou a cargo da Comissão de Artes, com criação de Elivelton Corrêa e Bruno Pena, além das contribuições de Robson Costa e Samuel Tiago. A arte visual contou com Tuniel Mura no desenho e Igor Passos na produção gráfica. O enredo também marca uma data especial: os 25 anos de fundação do Tucuxi, criado em 1999. A vitória em 2024, que rendeu o tricampeonato, o consolidou como o maior vencedor da história do festival, com 13 títulos.
“Catraia – Encantaria do Atravessar” e os percursos do Boto Rosa
Já o Boto Cor de Rosa lançou em maio o tema “Catraia – Encantaria do Atravessar”. O enredo é uma viagem poética pela experiência do remo e da travessia, elementos que sintetizam a vida do povo ribeirinho. “Das canoas que contam histórias e atravessam gerações! Ao remar nas águas do Tapajós é preciso enfrentar o banzeiro para viajar na essência do povo Borari”, anuncia o texto. A narrativa fala de chegadas e partidas, de canoas que levam e trazem sonhos, da beleza simples de uma praia iluminada pela sabedoria das águas e da esperança que se pesca todos os dias. O Cor de Rosa convida a sentir o balanço das redes, a força da remada e a encantaria que brota da relação sagrada entre a comunidade e o rio.
A proposta estética e narrativa do tema foi desenvolvida pela Comissão de Artes, com trabalho de Emanuel Graça e finalização de Paulo Design. Em 2019, o Cor de Rosa chegou a assumir a liderança isolada em conquistas, mas viu o rival equilibrar novamente os números.
Quem vence?
O último título do Cor de Rosa foi em 2019, quando conquistou seu 11º Festival e desempatou a disputa com o Tucuxi, que seguia com 10 títulos. Em 2020 e 2021, não houve a realização do festival por causa da pandemia de Covid-19. Na retomada, só deu Tucuxi nos anos de 2022, 2023 e 2024, garantindo a supremacia na disputa, com 13 vitórias, enquanto o Cor de Rosa permanece com 11.
E você, acredita que este ano o Cor de Rosa volta a conquistar o Çairé? Ou o Tucuxi ampliará a hegemonia em Alter do Chão?


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