Nesta quinta-feira (18), começa oficialmente o Sairé 2025, em Alter do Chão, Santarém, no oeste do Pará. O Sairé é uma das manifestações mais emblemáticas da cultura amazônica e mistura religiosidade, tradição indígena e celebração “profana”.
A festa segue até o dia 22 e deve atrair cerca de 100 mil visitantes. O ponto alto será a disputa entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, marcada para o dia 20, espetáculo que há décadas emociona moradores e turistas ao transformar lendas amazônicas em teatro, música e dança.
Programação
A programação tem início com a tradicional Bebedeira de Tarubá, bebida feita à base de mandioca e associada à ancestralidade indígena. Em seguida, acontece a busca e o levantamento dos mastros, em que homens e mulheres competem separadamente para erguer os símbolos que, ao final da festa, serão derrubados em rituais de agradecimento pela fartura da natureza. Outro momento central é a procissão do Arco do Sairé, conduzido pela Saraipora, personagem feminina que simboliza o balanço da Arca de Noé sobre as águas, distribuindo bênçãos à comunidade.
Os Ritos de Louvor e Celebração incluem cânticos ao Divino Espírito Santo, danças folclóricas e oferendas à floresta e aos rios, reafirmando a conexão entre espiritualidade e meio ambiente. Já no campo do profano, o aguardado Festival dos Botos transforma a arena em uma verdadeira ópera amazônica, com coreografias, alegorias e disputas narrativas que exaltam a criatividade popular regional. Entre fé, festa e espetáculo, a celebração reafirma Alter do Chão como um dos maiores palcos da cultura amazônica para o mundo.
CDs deste ano
Em 2025, os dois Botos lançaram novos álbuns que já estão embalando a disputa no coração da Amazônia e fortalecendo a identidade Borari.
O Boto Tucuxi conta com o álbum “Essência Borari”, lançado em 30 de agosto, reafirmando seu lema de ser o “Rei de Alter”. O trabalho reúne composições que traduzem a ligação do povo Borari com a terra, a água e os encantados. O CD celebra os 25 anos de história do grupo, tricampeão em 2024 e dono de 13 títulos no festival. O repertório traz músicas que exaltam a força e o carisma do Tucuxi, como “Sem rival”, “Tucuxi eu sou” e “Rainha do meu Sairé”.
Outras canções evocam personagens e símbolos da tradição local, a exemplo de “Lara, Rainha das Águas”, “Xamã Alencar” e “Mastros de Ipurari”. A produção valoriza ainda a memória ancestral com faixas bônus como “Essência Borari” e “Transcendência Borari”, que ampliam a dimensão espiritual e simbólica da obra. Disponível em plataformas digitais como Spotify, Deezer, YouTube Music, Amazon Music e Tidal, o álbum reflete o compromisso do Tucuxi com a preservação da identidade cultural e ambiental de Alter do Chão.
Do outro lado, o Boto Cor de Rosa lançou em 7 de setembro “Catraia: Encantaria do Atravessar”. O CD é um mergulho poético na vida ribeirinha e na força da canoa como símbolo de travessia, resistência e memória. As canções celebram a relação íntima com o rio Tapajós e a ancestralidade Borari, trazendo composições que misturam lirismo e energia festiva. Faixas como “Catraieiro”, “Encantaria do Atravessar” e “A Passagem do Encante” evocam imagens de viagem, espiritualidade e encantamento.
Já “Maria Ribeirinha” e “Protetora do Boto” homenageiam figuras femininas associadas à força da natureza e à proteção do povo. O álbum também reserva espaço para músicas mais leves e dançantes, como “Noite de Prazer” e “Feromônio do Boto”, que reforçam o clima vibrante da disputa.
Quem vence?
O último título do Cor de Rosa foi em 2019, quando conquistou seu 11º Festival e desempatou a disputa com o Tucuxi, que seguia com 10 títulos. Em 2020 e 2021, não houve a realização do festival devido à pandemia de Covid-19.
Na retomada, só deu Tucuxi nos anos de 2022, 2023 e 2024, garantindo a supremacia na disputa, com 13 vitórias, enquanto o Cor de Rosa permanece com 11. E você, acredita que este ano o Cor de Rosa volta a conquistar o Sairé? Ou o Tucuxi ampliará a hegemonia em Alter do Chão?



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