A música eletrônica produzida na Amazônia vem apresentando inovações e até mesmo se reinventado a cada batida, e no Amapá o cenário não é diferente. Neste cenário, uma nova parceria promete marcar essa cena. Ruan Sanner, conhecido como DJ Tokyo e o produtor Felipe Alme lançaram o primeiro remix em conjunto, dando um toque regional, o famoso “Rock Doido”, à faixa “Bota um Funk”, sucesso de Pedro Sampaio, Anitta e MC GW.
A ideia nasceu de uma provocação criativa de Tokyo, que ao assistir a versão forró feita por Pedro, pensou que o artista poderia ter experimentado também uma versão com Rock Doido em Macapá. Como isso não aconteceu, decidiu ligar para Alme e compartilhar a proposta. “Ele topou na mesma hora e fomos para o estúdio dele”, lembra o DJ.
O resultado é uma releitura que conecta o pop nacional ao pulsar das aparelhagens, marca registrada do Norte do Brasil. Para Tokyo, a experiência foi transformadora: “Foi um processo muito legal. Sou fascinado por esse universo de produção, e o Alme é um dos produtores mais incríveis daqui da região amazônica. Nossa mente explodiu! Espero que a galera curta esse remix, tenho certeza que vai funcionar muito bem em eventos”. Ele reforça que essa parceria é apenas o início: “Alme e eu temos muitas ideias e sempre funcionamos muito bem quando o assunto é música. É algo que quero aprimorar e sei que posso contar com quem entende”. Ouça no Soundcloud:
Os músicos e a cena do Rock Doido no Amapá
A trajetória de Tokyo ajuda a entender seu olhar para o remix. DJ e produtor cultural, iniciou a carreira em 2017 e rapidamente se consolidou como uma presença forte na cena alternativa do Amapá. Já se apresentou em municípios como Macapá, Santana, Porto Grande e Mazagão, e dividiu o palco com grandes nomes nacionais, como Pabllo Vittar, Luísa Sonza, MC GW, FP do Trem Bala e Bonde das Maravilhas. Também foi atração principal em Paradas LGBTQIAP+ de Macapá e Porto Grande, tornando-se figura de destaque na cultura local. “Minha maior inspiração é a cultura brasileira. Acho lindo demais essa diversidade. Mas, se falar de alguém específico, é a Pabllo Vittar. Amo a forma como ela transita entre o underground e o mainstream sem medo de experimentar. Isso é muito icônico”, revela Tokyo.

Já Felipe Alme, nascido em Santana, é DJ, produtor musical, compositor e multi-instrumentista. Com mais de uma década de carreira, iniciou o interesse pela música ainda na boate Dimpus Club. De lá para cá, lançou músicas por gravadoras nacionais e internacionais e assinou a produção do álbum “Dentro d’água a gente não chora”, de Jhimmy Feiches. Hoje, é considerado um dos grandes nomes da MEPB (música eletrônica popular brasileira) no Norte, criando versões de clássicos nacionais, internacionais e também de artistas locais. “Skrillex, Tropkillaz e Pabllo Vittar são minhas maiores referências. A forma como viajam por gêneros diferentes sem perder suas personalidades é algo que me inspira”, afirma.

Mas nenhum remix ou produção desses artistas pode ser compreendido sem olhar para o Rock Doido, fenômeno que movimenta multidões no Pará e no Amapá. Tokyo explica: “Aqui a galera abraçou mesmo o Rock Doido. Isso é muito forte por conta das nossas raízes paraenses. Não existe mais evento no Amapá que não tenha um momento para o Rock Doido. Na Expofeira, por exemplo, temos o dia inteiro dedicado ao gênero, com sete aparelhagens locais”.
Felipe complementa com uma visão de mercado: “O Amapá é o segundo maior consumidor da cultura tecnomelody no Norte, perdendo apenas para o Pará. Apesar desse consumo expressivo, ainda faltam produções feitas por amapaenses. É isso que o Tokyo e eu estamos fazendo, criando material daqui para essa cultura”.
Com o remix de “Bota um Funk”, DJ Tokyo e Felipe Alme não apenas celebram a potência do Rock Doido, mas também reafirmam o papel do Amapá como produtor de cultura, e não apenas consumidor. A iniciativa é um convite para dançar, mas também para reconhecer que a música, quando nasce da periferia amazônica, reverbera muito além dos limites regionais, levando a identidade local para o mundo.



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