Vídeo-manifesto exibido no show de Anitta foi criado pelo paraense Matheus Almeida; conheça a obra e o autor

Por Enderson Oliveira

O vídeo-manifesto apresentado por Anitta durante o show no Global Citizen Amazônia, realizado no estádio Mangueirão, em Belém, teve assinatura paraense. A gravação e a edição foram feitas pelo diretor audiovisual e editor Matheus Almeida. A obra, de cerca de 1 minuto e meio, emocionou o público ao traduzir em imagens o poder simbólico dos rios da Amazônia e suas conexões culturais com o Rio de Janeiro.

No vídeo, os rios são retratados como símbolos de vida, transformação e autoconhecimento. Eles representam o fluxo constante entre nascimento e despedida, partida e retorno, origem e destino. A narrativa visual expressa a força dos territórios ribeirinhos e urbanos, refletindo como a água — espelho do céu e da alma — conecta pessoas, memórias e tradições.

O olhar amazônico por trás da câmera

Matheus Almeida destacou a importância de ver a Amazônia representada por quem vive e cria a partir dela. “Ser convidado pra esse trabalho foi uma honra enorme. Criar um vídeo-manifesto já é, por si só, um grande desafio — e fazer isso junto de artistas que admiro, para uma artista como a Anitta, foi incrível”, contou.

Segundo ele, a produção reuniu imagens de arquivo, registros autorais e gravações inéditas em Belém. “Juntamos tudo isso pra construir o que eu costumo chamar de um ‘megazord amazônico’ — um grande corpo coletivo que deu vida a esse vídeo. Agradeço muito à Nídia Aranha e à Marina Beltrame pelo convite e pela parceria”, completou.

A força coletiva é o ponto central da criação. A equipe é formada por artistas e técnicos locais: texto de Roma Rio, participação de Nídia Aranha, direção de arte de Akha Rubi, produção de Tayana Pinheiro, fotografia de Thiago Pelaes e figurino assinado por Romário e Pietra Pojo.A gente entende que esse formato de filme é uma criação coletiva, feita de vivências amazônicas, urbanas e poéticas — e é justamente essa soma que torna tudo tão emocionante”, afirmou Matheus.

Da periferia ao palco global, a estética da Amazônia urbana

Com quase uma década de carreira, Matheus Almeida é reconhecido por unir o olhar periférico à linguagem pop. Dirigiu o curta “Cura” (2020), sobre racismo, o videoclipe “Brega Night Dance Clube” (Luísa e os Alquimistas feat. Keila) — indicado ao m-v-f Awards — e o sensível “Bença” (2023). Também codirigiu o documentário “Olhares do Norte: Pará”, vencedor no Festival Curta! Documentários, além de diversos vídeos-manifestos do Festival Psica.

Desde 2021, o artista desenvolve esse tipo de narrativa audiovisual dentro do Psica. “Nos últimos sete anos, exploramos a estética de uma Amazônia urbana, com todas as suas camadas e contradições. De lá pra cá, toda edição do festival traz um vídeo-manifesto — e é muito bonito ver essa linguagem ganhando novos espaços e públicos”, afirma Matheus.

Um manifesto em movimento

Com ritmo poético e imagens potentes, o vídeo exibido por Anitta conecta a Amazônia à cena global, reafirmando o lugar dos criadores paraenses na cultura contemporânea. Mais do que uma peça audiovisual, a obra de Matheus Almeida é um manifesto sobre pertencimento, coletividade e identidade amazônica — um convite para ver, ouvir e sentir o Norte do Brasil em toda sua força criativa.

Equipe completa

Direção: Matheus Almeida
Direção de fotografia: Thiago Pelaes
Produção: Marahu Filmes
Produção executiva/Direção de produção: Tayana Pinheiro
Direção de arte: Akha Rubi
Produção musical: Léo Chermont
Figurino: Pietra Pojo e Roma Rio
Maquiagem: Pietra Pojo
Edição: Matheus Almeida
Assistente de produção: Thays Pinheiro
Texto: Roma Rio e Nídia Aranha
Voz: Dona Onete
Imagens arquivo: Matheus Almeida, Altar Sonoro, Marahu Filmes e Akha Rubi

Elenco:

Leona Vingativa
Princess Babe
Roma Rio
Mityzi Passos
Shayra Brotero
Taymari Leão
Lukaz Yago
Akha Rubi
Pieta Pojo
Ponga do Passinho
Astro Bonekinho
Anastacia Marshelly
Bruno Campos
Jhoy Corrêa
Rayssa Cardoso
Keila Gentil
Aqno

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