ONG Mandí realiza expedição no Rio Tucunduba, em Belém, com pessoas de fora do Pará

Nos últimos dias, a Organização Não Governamental (ONG) Mandí realizou a Expedição pelos Rios Urbanos em Belém, marcando o início de suas ações para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). A iniciativa visou estimular o olhar crítico sobre a preservação das bacias hidrográficas urbanas e fomentar o debate sobre a relação entre águas e cidades.

O percurso da expedição seguiu o Rio Tucunduba, abrangendo quatro pontos específicos, da nascente à foz. Segundo Camila Magalhães, diretora-presidente da ONG, o evento representou uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre a sustentabilidade na Amazônia. “Num momento como esse, em que os olhos do mundo se voltam à Amazônia, enxergamos uma oportunidade para contribuir para o debate climático a partir do nosso território, mostrar para quem chega as questões da parte urbana da Amazônia e os processos que a atravessam, como o direito à água e ao saneamento básico”, afirmou.

Um dos destaques da programação foi a visita à nascente preservada do Rio Tucunduba. Localizada em propriedade privada em Belém, o local possui um lago com cerca de 80 mil litros de água doce, mantido pelo proprietário como um ato de valorização ambiental.

Durante a atividade, os participantes foram convidados a reconhecer o rio como parte do tecido vivo da cidade. Houve reflexão sobre os impactos das intervenções urbanas, como a concretagem dos canais.

Participantes da exposição. Foto: Divulgação/ Mandí

“No centro, embelezamento e valorização; aqui, contenção e apagamento. O que está em jogo é quem tem direito à cidade e a um ambiente digno. Esse é o tal racismo ambiental que molda os espaços urbanos em nossas cidades”, completou Camila Magalhães.

A Expedição pelos Rios Urbanos é uma vivência educativa e sensorial que combina observação, diálogo e valorização dos saberes locais. O Rio Tucunduba atravessa cinco bairros de Belém, impactando cerca de 256 mil pessoas, o que ressalta a necessidade de políticas públicas que unam preservação ambiental e inclusão social.

Sobre a ONG Mandí

A Mandí é uma organização da sociedade civil sediada em Belém, liderada por mulheres amazônidas. Atua em saneamento básico e adaptação climática, buscando garantir acesso à água, justiça social e cidades mais resilientes na Amazônia Legal.

Com quase dez anos de atuação e três participações nas Conferências do Clima da ONU, a ONG desenvolve projetos de educação ambiental, mobilização popular e incidência política. É reconhecida por parcerias locais, nacionais e internacionais. Durante a COP 30, a Mandí participa como organização observadora, com ações nas Zonas Azul e Verde e em eventos paralelos.

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