Macapá na Sapucaí! Mangueira vai homenagear Mestre Sacaca e cultura afro-indígena do Amapá no Carnaval 2026

A Estação Primeira de Mangueira vai homenagear o Amapá e um dos seus principais ícones históricos no enredo do Carnaval de 2026. O tema “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra” celebrará a vida e o legado de Mestre Sacaca. A escola de samba do Rio de Janeiro pretende mergulhar na história afro-indígena-amazônica, tendo as vivências do Mestre como ponto central e marcando o início do triênio do centenário da agremiação.

Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, era de origem negra e indígena. Esses aspectos são centrais na formação do Amapá. Apelidado com uma titulação xamânica, ele navegou por rios da região Norte do Brasil, estabelecendo contato com diversas populações tradicionais.

Mestre Sacaca desenvolveu profundos conhecimentos sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e outros elementos da Amazônia Negra amapaense. Ele aplicava esses saberes no tratamento de doenças e no cuidado comunitário, utilizando garrafadas, chás, unguentos e simpatias.

Saberes e Tradições de Mestre Sacaca

Essa prática o tornou conhecido como “doutor da floresta” em diferentes cidades das terras Tucujus. O termo Tucuju é uma expressão que, originalmente de um grupo indígena, hoje designa o povo do estado do Amapá.

Para além dos atendimentos, ele disseminou receitas e simpatias através da publicação de livros e de programas em rádios locais. Em seu cotidiano, Mestre Sacaca promovia a medicina ancestral e o poder das ervas, trabalhando a natureza em um equilíbrio entre ciência e espiritualidade.

Atuação Cultural e Legado no Amapá

Mestre Sacaca também atuou como marabaixeiro, participante do marabaixo, manifestação cultural afro-amapaense. Ele integrou-se ativamente ao Carnaval do Amapá, sendo Rei Momo por mais de 20 anos e fundando blocos e escolas de samba. Tornou-se um defensor e estimulador dos tambores da Amazônia Negra.

Nascido em 1926, Mestre Sacaca foi chamado de Xamã Babalaô em uma canção póstuma de Ricardo Iraguany e Enrico Di Miceli. Ele permanece presente na memória do povo amapaense, com sua família continuando a perpetuar seus saberes, conhecimentos e vivências.

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