O Festival de Cinema Dorothy Stang será realizado entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março de 2026. Com o tema ‘Justiça Climática e Direitos Humanos para a Amazônia’, o evento ocupará a Praça Dorothy Stang, no bairro da Sacramenta, propondo cinema, formação, mobilização social e ações territoriais.
Mais do que um evento audiovisual, o festival é um encontro entre memória, cultura e articulação comunitária. A programação inclui mostra competitiva de curtas e longas-metragens, oficinas formativas e um cineclube infantil. Também estão previstas uma feira de economia criativa, o lançamento do livro Defensores da Amazônia, além de debates e ações socioambientais.
Contemplado pelo Edital de Circulação Cultural da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult-PA), por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o projeto amplia o acesso ao audiovisual e fortalece narrativas periféricas. O festival consolida iniciativas como o Cineclube Dorothy Stang.
Mostra competitiva e debates fundamentais
O destaque do evento é a mostra competitiva, que seleciona produções comprometidas com a justiça climática, os direitos humanos e a defesa dos territórios. A premiação total para as obras selecionadas é de R$ 8 mil.
A seleção busca reconhecer trabalhos que enfrentam temas como racismo ambiental, grilagem de terras e violência contra populações tradicionais. Ao mesmo tempo, celebra formas de resistência e organização coletiva na região.
Outro destaque é o Podcast Dorothy Stang, uma plataforma de debate ao vivo. Ele reunirá ativistas, realizadores e lideranças para discutir os desafios contemporâneos da Amazônia, criando um espaço de escuta e confronto de ideias.
Este espaço visa articular cinema, comunicação e ação política, promovendo o engajamento em questões cruciais. A plataforma reforça a importância da comunicação para a mobilização social amazônica.
Intervenções na praça e símbolos vivos
O festival aposta também no impacto físico e simbólico na praça que leva o nome da missionária. Entre as intervenções previstas, está a criação de um Jardim Agroecológico, com plantio de espécies nativas e medicinais.
Além disso, ações de muralismo homenagearão mártires da Amazônia. Essas intervenções reafirmam a importância da memória como ferramenta de luta e conscientização para o público presente.
Dorothy Stang: legado inspirador e perene
Em 12 de fevereiro de 2005, a missionária norte-americana naturalizada brasileira foi assassinada em Anapu, no Pará. Ela foi perseguida e morta devido à sua atuação em defesa da reforma agrária sustentável e dos direitos de pequenos agricultores. Ela confrontava o avanço da grilagem e da exploração ilegal da floresta, dedicando sua vida à causa amazônica.
Religiosa da Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, Dorothy dedicou décadas à Amazônia. Trabalhou ao lado de comunidades camponesas, defendendo projetos de desenvolvimento sustentável que conciliavam produção agrícola e preservação ambiental.
Sua morte tornou-se um símbolo da violência no campo e da disputa por terras na região, com seu eco permanecendo até hoje. Passados 21 anos do crime, seu nome é referência ética e política para movimentos socioambientais.
O evento também se apresenta como um espaço de construção de esperança para as comunidades locais. Ao ocupar a Praça Dorothy Stang com imagens, debates e ações coletivas, a proposta é afirmar que a luta por justiça climática e direitos humanos continua urgente e relevante para a Amazônia.
Em um momento de intensificação das crises ambientais e sociais, o festival reafirma o papel da cultura como articuladora de reflexão e mobilização. Ele demonstra o poder da arte para gerar mudanças e inspirar novas gerações de defensores.



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