Ruy Antônio Barata, filho do poeta Ruy Barata, estreia na literatura com o lançamento do livro “Esse rio é minha rua”. A obra, publicada pela Editora Paka-Tatu, apresenta uma crônica familiar que se entrelaça com acontecimentos marcantes da história do Pará no Século XX.
O lançamento do livro e a sessão de autógrafos estão agendados para o dia 6 de março, a partir das 18h. O evento será realizado no Espaço da Livraria da Editora da UFPA, localizado no Complexo dos Mercedários, em Belém.
Nascido em Óbidos, no Baixo Amazonas, em 1944, Ruy Antônio Barata é médico nefrologista. Ele vive há 50 anos em São Paulo, mas mantém uma forte conexão com o Pará e com as influências que o tornaram líder estudantil na década de 1960.

Trajetória e influências familiares
Antes de “Esse rio é minha rua”, o autor participou da coletânea “Relatos Subversivos”, lançada em 2004, nos 40 anos do Golpe de 1964. A obra abordou os acontecimentos que marcaram sua geração e os impactos da Ditadura Militar.
O poeta Ruy Barata, pai de Ruy Antônio, é um dos principais personagens dos fatos relatados no livro. Ele foi professor, advogado e comunista. O avô do autor, o advogado Alarico Barata, foi adversário de Magalhães Barata.
Alarico nasceu no Ceará em 1891 e migrou com a família para o Pará em 1908. Esses dois personagens são destacados na narrativa, junto a outros membros da família, em um enredo crítico e emocionado.
O Pará nas Páginas do Livro
A família Barata teve participação em fatos políticos ocorridos em Belém, Santarém e Óbidos, desde a Revolução dos Tenentes, em 1924. Durante a crise da República Velha, a Comuna de Manaus tomou Óbidos, Santarém e parte de Belém, ocasião em que Alarico precisou fugir com sua família.
Seu filho Ruy, então com cinco anos, presenciou esses eventos. “O Alarico esteve sempre no olho do furacão. Foi perseguido pelos tenentes no Baixo Amazonas, quando a luta política se polarizava entre Magalhães Barata e o jornalista Paulo Maranhão, dono do jornal Folha do Norte, de Belém”, destaca o autor.
O pai do autor também teve participação intensa nos acontecimentos do Golpe Militar de 1964. Ele foi preso e perseguido pelos golpistas no Pará, sendo demitido da Universidade Federal do Pará e do cargo vitalício de escrivão do Cartório do 4° Ofício Cível de Belém.
Reflexões e Legado
O gosto pela cultura, leitura e escrita é o elo que conecta o autor aos seus antepassados. “O gosto pela solidariedade entre os povos e a busca por uma sociedade mais justa e socialista. Isso aprendi. Meu pai e o meu avô são minhas inspirações permanentes”, afirma o autor.
Segundo o editor Armando Alves, da Paka-Tatu, “Esse rio é minha rua” transcende a biografia e a narrativa familiar. A obra se torna uma lente crítica sobre o país, ao entrelaçar trajetórias pessoais com grandes acontecimentos nacionais.
O editor explica que o livro ilumina momentos decisivos da história brasileira e revela como indivíduos e famílias foram moldados e, muitas vezes, feridos por esses eventos. Quando o foco recai sobre os anos da Ditadura Militar, essa importância se intensifica.
Armando Alves conclui que o livro analisa os mecanismos de poder, os silenciamentos, as resistências e as marcas profundas deixadas por esse período. Assim, a obra se transforma em um instrumento de compreensão coletiva, ajudando a revisitar o passado para entender o presente e evitar que a história se repita.
Serviço
- Lançamento do livro “Esse rio é minha rua”, de Ruy Antônio Barata, com sessão de autógrafos.
- Quando? Sexta-feira, 6 de março, a partir das 18h.
- Onde? Espaço da Livraria da Editora UFPA, no Complexo dos Mercedários, em frente à Estação das Docas, em Belém.
- Entrada franca.
Texto original enviado por Enize Vidigal/ assessoria de imprensa


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