O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu uma consulta pública para discutir o registro do “Ofício de Tacacazeira” como “Patrimônio Cultural do Brasil”, convidando a sociedade a contribuir até 19 de novembro de 2025. O processo é resultado de uma longa trajetória de reconhecimento do papel das mulheres que, por gerações, mantêm viva uma tradição que vai muito além do preparo de um prato típico — o tacacá —, sendo um símbolo de identidade, resistência e saber ancestral amazônico.
Segundo o parecer técnico do Iphan, o ofício reúne saberes agrícolas, técnicas culinárias, modos de comercialização e laços comunitários, que formam um sistema culinário profundamente ligado à vida amazônica. O documento destaca também que o registro valoriza as tacacazeiras como detentoras de um patrimônio imaterial, reconhecendo seu papel social e econômico, muitas vezes invisibilizado.
Assim como o ofício das baianas de acarajé, a proposta de patrimonialização não se restringe ao alimento, mas ao modo de fazer e de viver dessas mulheres, que sustentam famílias, criam filhos e reafirmam uma culinária baseada em ingredientes da floresta.
O Iphan também relaciona o tacacá ao debate sobre soberania alimentar e sustentabilidade, destacando seu valor como “comida de verdade”, em contraste aos produtos ultraprocessados. Preservar o ofício, portanto, é também garantir políticas públicas de saúde, cultura e economia solidária.
Participe!
As manifestações podem ser enviadas por e-mail (conselho.consultivo@iphan.gov.br), carta (para SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135) ou protocolo digital clicando aqui.
Após o período de consulta, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural avaliará as contribuições e decidirá se o ofício será oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil — um passo histórico para valorizar as vozes femininas que moldam o sabor e a identidade da Amazônia.



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