A III Mostra Tekó de artivismo indígena urbano encerrou com sucesso de público em Belém e Ananindeua. Realizada nos dias 29 e 30 de maio, a mostra reuniu artistas de 14 etnias e consolidou a arte indígena contemporânea na Amazônia.
Com uma proposta multilinguagens, a mostra ocupou espaços culturais de prestígio. Apresentou exposição de artes visuais, mostra audiovisual, performances artísticas, oficinas, feira de artesanato, debates e apresentação musical. O objetivo central foi dar visibilidade à produção de indígenas que vivem e resistem nas cidades, quebrando estereótipos sobre a identidade originária.
Porakê Munduruku, um dos coordenadores do evento, afirmou: “A resposta do público mostra que as pessoas estão prontas para acessar a arte indígena contemporânea.” Ele completou que não se trata apenas de tradição e identidade, mas de “políticas públicas e da necessidade de rompermos com a invisibilidade da população indígena em contexto urbano”.
O sucesso da edição já movimenta os bastidores para desdobramentos futuros. A organização do evento anunciou a realização de uma quarta edição, prevista para 2027. Esta será ainda maior e mais abrangente. A exposição Território, Encantaria e Retomada, inaugurada durante a mostra, segue aberta à visitação. Ela pode ser visitada até 26 de julho, no 2º andar do Sesc Ver-o-Peso, com curadoria de Cely Feliz Arikem.
Principais Destaques da Programação
- O lançamento do Manifesto Tekó em Defesa da Retomada em Maenry. O manifesto é uma resposta ao Flamiaçu (1927) e aos ataques contra o movimento de retomada das identidades indígenas urbanas.
- O espetáculo Quando a Folha Dança, da Coreógrafa e doutora em Artes, Rô Colares, do Povo Arapiun. A obra foi selecionada pelo edital da Funarte.
- A Oficina de Cultura Alimentar Indígena, ministrada por Marineide Juruna (liderança indígena do Baixo Xingu). A iniciativa buscou resgatar saberes ancestrais junto à Cozinha Solidária Mãos de Mulheres em Ananindeua.
- A estreia do curta-metragem ficcional Álibi (2026), da cineasta marajoara Jaci Garcia. O filme denuncia a violência contra meninas indígenas em contexto ribeirinho e periurbano.
- Mesas de debate sobre Desafios da Luta Indígena em Contexto Urbano e Culturas Indígenas e Políticas Públicas. Contaram com Telma Saraiva (MinC), Kwahari Tenetehar (Conselho Estadual de Cultura) e Auriene Arapiun (liderança indígena).
A pluralidade étnica do público e a forte presença da juventude marcaram os dias do evento. Geraram-se debates profundos sobre o pertencimento indígena nas metrópoles.
Manifesto Tekó de Retomada em Maenry




Deixe um comentário