Nas últimas semanas, a ativista e ex-modelo Luiza Brunet esteve em Gurupá, no arquipélago do Marajó, para participar das ações do Agosto Lilás. A visita foi motivada pelo apoio ao movimento de combate à violência contra a mulher na cidade, criado após um caso de violência contra a mulher que gerou forte repercussão no município.
Uma das pessoas que acompanhou Brunet em Gurupá foi Gorete Pastana, professora e diretora de escola estadual, uma das lideranças do grupo #PorTodasElas na cidade. Segundo ela, o contato surgiu a partir da própria luta do movimento. “A Luiza Brunet é uma ativista reconhecida nessa causa”, afirma Gorete.
Em Gurupá, com grande apoio da prefeita Iracilda Alho, o grupo tem um núcleo central de 15 mulheres, mas conseguiu mobilizar mais de 500 pessoas em torno da mesma pauta – um número significativo para uma cidade do interior do Pará, devemos notar. O objetivo do coletivo é acolher, apoiar e lutar por mulheres em situação de violência doméstica.
Durante a passagem por Gurupá, Brunet realizou uma palestra com o movimento de mulheres, visitou jovens da Pastoral da Juventude e esteve em uma comunidade quilombola, onde participou de atividades culturais e se reuniu com mulheres locais. Ela também caminhou e conheceu parte da cidade e também entrou no embalo do melody durante um trajeto de lancha pelo município.
Trajetória de Luiza Brunet
Brunet tornou-se publicamente engajada na causa após ser vítima de agressão em 2016 pelo então marido, em Nova York. Antes disso, relatou ter sofrido abuso sexual na infância e ter testemunhado o pai agredir a mãe. Hoje, é embaixadora do Instituto “Nós por Elas” e do programa Sinal Vermelho, que ensina mulheres em situação de violência a sinalizarem a necessidade de socorro de forma discreta.
Brunet também integra o Conselho Superior Feminino da Fiesp e percorre o Brasil e o exterior levando informações sobre direitos das mulheres e caminhos para denunciar.
Agosto Lilás e os 20 anos da Lei Maria da Penha
A visita integrou a programação do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização instituída pela Lei nº 14.448/2022. Em 2026, a mobilização tem peso histórico: a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 20 anos.
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a lei é considerada um dos principais marcos legais de proteção às mulheres no Brasil, estabelecendo medidas protetivas de urgência, criando juizados especializados e tipificando a violência doméstica como violação dos direitos humanos.
Como denunciar violência contra a mulher
Segundo a legislação brasileira, a segurança pública é de responsabilidade dos Estados. Então, qualquer pessoa que presenciar ou souber de um caso de violência contra a mulher pode e deve denunciar a órgçaos dos Estados do país. Os principais canais são:
- 180 (Central de Atendimento à Mulher. Funciona 24 horas, 7 dias por semana. Gratuito e confidencial. Orienta, informa e registra denúncias).
- 190 (Polícia Militar. Para situações de urgência e risco imediato).
- 181 (Disque-Denúncia. Canal anônimo para comunicar crimes).
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM): presente em diversas cidades do Pará, é o espaço especializado para registro de boletim de ocorrência e solicitação de medidas protetivas.
Também é possível acionar a Defensoria Pública (DPE-PA) e o Ministério Público do Pará (MPPA) para suporte jurídico e acompanhamento do caso.



Deixe um comentário